quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Esperança

"Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
- Ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
- Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho,
para que não esqueçam
                                                                                                     - O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA..."
                                                                                                                        (Mário Quintana)
 Esperança é acreditar sempre em um novo caminho, mais belo, mais florido, mais fácil de percorrer... é crer que existe sempre uma grata surpresa depois da curva... é ter a certeza de que a beleza está tanto na estrada quanto no ponto de chegada.
Esperança é renovação... é o que nos permite zerar os contadores ao final de cada ano, como quem encerra uma longa jornada, e no amanhecer do primeiro raio de sol de janeiro começar tudo de novo, com o espírito renovado e o coração aberto, sem bagagens, deixando magicamente o ano anterior realmente no passado (que é mesmo onde devem estar todas as coisas que deixam de ser 'presente').
Esperança é o que nos dá fôlego para continuar e força para não desistir, abrindo os braços e sorrindo para o tão esperado futuro que nos sopra o rosto como uma leve brisa de verão.
Esperança é a mola que nos impulsiona para o desconhecido, para o AMANHÃ.

Querida Esperança, tão bela e tão presente em minha vida,
nunca me abandone!


Que no ano de 2012 todas as esperanças se renovem e se fortaleçam, porque a primeira conquista é feita no coração, o resto é pura materialização daquilo que já acreditávamos ter desde o primeiro instante em que ousamos sonhar.

¬¬¬

sábado, 17 de dezembro de 2011

Dezembro!

Dezembro chegou!
E com ele, suas luzes, enfeites, magia e reencontros.
Dezembro é o mês mais corrido do ano e, ao mesmo tempo, o mês onde tudo parece parar. É quando todos os acontecimentos são relembrados, revistos, contabilizados, pensados e repensados. Escolhas são analisadas, promessas são feitas, encontros se fazem e refazem. O ar fica com qualquer coisa de magia, ciclos se encerram, famílias se unem e amigos se reencontram, sorrisos se distribuem... e que bom que essa gentileza com o outro tão constante em dezembro, que esse olhar por aqueles que mais precisam durasse o ano inteiro! Que bom se o clima de dezembro servisse de inspiração para a vida inteira, para a solidariedade constante, para o cultivo das amizades, para a união das famílias. Dezembro é nascimento, é promessa de recomeço, dezembro é VIDA! Dezembro é ansiedade e nostalgia. É espera pela chegada de um ano novinho em folha, é esperança pela possibilidade de começar de novo, é saudade do que se viveu no ano que passou, é alegria pelas conquistas alcançadas e aprendizado em cada erro cometido. Que o seu dezembro seja sempre renovação, seja o futuro ali na beiradinha do palco da vida, atrás da cortina olhando para a platéia, esperando que as luzes se acendam para que o espetáculo se inicie.


sábado, 5 de novembro de 2011

E se...?

Nesta última semana tive a oportunidade de assistir ao filme "O Palhaço", a mais recente estreia do cinema brasileiro. O filme é dirigido e protagonizado por Selton Mello e conta com o peso do talento de Paulo José em seu elenco. A história se passa no interior de Minas Gerais e conta a rotina de um circo modesto que viaja por pequenas cidades. Selton Mello vive Pangaré, palhaço que faz dupla com seu pai e dono do circo, Puro Sangue, interpretado por Paulo José. Pangaré é um palhaço que faz toda a platéia rir com suas divertidas piadas, mas fora do picadeiro é uma pessoa profundamente triste. Totalmente desmotivado com a vida e com sua profissão, de certa forma herança de seu pai dada pela vida, Pangaré parece não se encaixar no universo circense em que vive, fazendo do seu ofício uma penosa obrigação. Algo parece lhe faltar levando-o a se sentir sufocado, algo que nem mesmo ele consegue definir ou identificar. Cansado de uma vida que julga não ter sentido, Pangaré resolve abandonar a família e o ofício que a vida lhe reservou e parte pelo mundo em busca de um futuro diferente onde possa, quem sabe, encontrar a felicidade.  

Bom, o filme me fez pensar em quantas vezes nos questionamos se estamos felizes no caminho que seguimos ou que nos levaram a seguir. Quem nunca olhou para o passado se perguntando onde estaria agora se tivesse escolhido um caminho diferente, se tivesse dito sim ao invés de não, ou não ao invés de sim, se tivesse escolhido uma profissão diferente, se tivesse ido morar numa cidade diferente, se tivesse decidido dividir a vida com uma pessoa diferente, se... se... se... Quantos "se's" vamos colecionando ao longo da vida?

Em sua jornada longe do circo (que não dura muito), Pangaré termina por descobrir que o circo é o que lhe faz feliz, que a profissão de palhaço o completa, e volta para o lado de seu pai nos espetáculos. Mas apesar de voltar para a mesma vida que tinha antes, Pangaré é uma pessoa totalmente diferente, pois tem a certeza que ali é exatamente o lugar onde ele quer estar e essa certeza o torna, enfim, feliz!

Assim é a nossa vida. Muitas vezes achamos que não temos o suficiente, nos lamentamos pelas escolhas feitas acreditando que algo extraordinário nos aguardava e deixamos passar. No mais das vezes, não percebemos a riqueza que há ao nosso redor, pois nossas escolhas foram o que o nosso coração pediu naquele momento e nos levaram para onde deveríamos ir, nos fazendo ser quem somos hoje, e isso não há como mudar. Todo questionamento sobre o que quer que seja é válido e toda tentativa de buscar alcançar algo que supomos ser o melhor para nós é louvável, afinal, é a busca pela felicidade que faz o mundo girar. Nunca é tarde para recomeçar, para trilhar um caminho diferente. Nunca é tarde para lutar pelo que nos complete, pelo que nos satisfaça, pelo que nos faça felizes. Do mesmo modo que nunca é tarde para descobrir "um tesouro embaixo do próprio assoalho". Se pudessemos olhar a nossa própria vida do lado de fora certamente nos espantaríamos ao perceber que já temos tudo o que precisamos, que não há nenhum outro lugar no mundo onde gostaríamos de estar nesse momento e perceberíamos que de tanto pensar em "SE's" acabamos por deixar de conjugar os melhores verbos...

¨

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

"Que eu jamais fique só, mesmo quando eu me queira só"

Há alguns dias uma frase me vem martelando a cabeça: 

"(...)que eu jamais fique só, mesmo quando eu me queira só".

Esta que encerra um belíssimo texto do autor Oswaldo Begiato, intitulado "Oração a mim mesmo". Quantas vezes queremos fugir de tudo, sumir, estar completamente sós num lugar onde ninguém possa nos alcançar, quietos, encolhidos talvez? Ir para onde só haja o silêncio. Nada mais. Um lugar onde não hajam cobranças, hora marcada, problemas a resolver, decisões a tomar, compromissos a cumprir, responsabilidades das quais não se possa fugir. Um lugar onde possamos olhar para nós mesmos e nos enxergar. 

Acredito, de verdade, que todo momento de solidão é válido. Válido para ficarmos a sós com nossos botões e conseguirmos enxergar tudo o que vai dentro da cabeça e do coração, nossas angústias, anseios, dúvidas, certezas, medos. Porque acredito que só nós mesmos temos as respostas certas para as nossas próprias perguntas, e não se pode escutar bem no barulho. Há dias em que o burburinho do mundo parece nos sufocar e só um "universo particular" pode nos salvar, ajudar a botar a cabeça no lugar e tomar fôlego para seguir.

Porém, nenhum deserto interior, por mais enriquecedor que torne o aprendizado da vida, deve ser eterno. Como tudo no mundo deve ter a sua medida de equilíbrio, a solidão também deve ser tomada na dose certa para que não nos torne para sempre caminhantes solitários, tais como conchas fechadas que apenas se abrem superficialmente. Há que se ter cuidado, pois a solidão pode embrutecer o coração e fazer com que este desaprenda como é saudável e engrandecedor o ato de "compartilhar". Compartilhar palavras, ideias, olhares, experiências, compartilhar tempo.

E nada melhor para isso do que saber que alguém estará a nossa espera quando o nosso deserto terminar. Nada melhor do que ter para onde voltar. Voltar para um lugar, para alguém, para um abraço, para um sorriso. Saber que tem alguém no meio do caminho com a mão estendida sempre a nos esperar... acho que é exatamente isso o que a tal frase quer dizer, que jamais fiquemos sozinhos, mesmo quando nos queiramos sozinhos. Que sempre haja alguém a nos esperar, a nos acompanhar, ainda que distante, respeitando a nossa necessidade de isolamento. Para que, no exato momento em que precisarmos, possamos olhar para o lado e ver que não estamos sós, nunca estivemos!

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Para você.

No dia em que você chegou
com aquele sorriso
aquele abraço
aquele beijo 
aquele cheiro
aquela hora se tornou perfeita
Uma vida inteira a esperar
nada mais tive a desejar
¨
Tudo se preencheu
Tudo se completou
Passei a viver assim
com aquele sorriso nos lábios
como quem olha o mar
e sente tudo se completar na imensidão
Sentindo os pés saindo do chão
no doce embalo da canção
¨
Para você guardei os meus melhores momentos
e o maior dos meus sentimentos
Aquele que só descobri quando estava nos seus braços
e a minha vida que a cada instante se faz de nós.
¬ ¬ ¬

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Desabafo.

Com frequência tenho sentido uma profunda dor no peito, uma grande indignação cada vez que presencio mãos postas nas janelas dos carros pedindo ajuda, mendigando um trocado, um pedaço de pão, pedindo socorro. Me pergunto se os governantes do nosso belo (e paradisíaco?) Município, do nosso sofrido Estado, do nosso tão rico País, não olham através das janelas de seus carros, se não vêem o desespero e a desesperança nos olhos de quem vive a vagar pelas ruas, sem rumo, sem ter um lugar para ficar, sem ter para onde voltar. Crianças de olhar perdido, desnutridas, barrigudas, já com tantas cicatrizes no corpo e na alma, entorpecidas por uma droga qualquer que lhes faça esquecer da fome, do abandono. Como não se solidarizar com a dor alheia? Como imaginar que voltaremos para uma casa de mesa farta e geladeira cheia, que teremos uma cama quente no final do dia e não pensar naqueles que ficaram do lado de fora privados de qualquer coisa que acalente, sem sentir um nó na garganta e o estômago revirado? Que culpa têm de terem nascido sem teto, sem espectativa? Mais uma vez me questiono se os senhores vereadores, deputados, chefes do Executivo, ao ter conhecimento e quem sabe até participação em desvios de verbas públicas, superfaturamento de obras, fraude à licitações, benesses e tantos outros favorecimentos gerados pelos cargos que ocupam não se sentem, nem que seja lá no fundo, mas lá no fundo mesmo de suas consciências, por uma fração de segundo, culpados por suas ações criminosas, por suas omissões escandalosas. De que matéria é feita esses homens que só pensam em ter mais, em ganhar mais, e só se esforçam para descobrir uma nova e impune forma de saquear os cofres públicos? E não importa o tamanho do prejuízo que geram, roubar pouco não significa que não é roubo, tirar o que é do outro é grave de qualquer maneira. Político que desvia verba da infra-estrutura não é menos ladrão que o assaltante de banco, político que desvia verba da saúde não é menos assassino que aquele que comete homicídio, político que desvia verba da educação não é menos culpado que aquele que abandona um incapaz, político que se utiliza do dinheiro público para se favorecer não é menos bandido que o estelionatário. Político corrupto é criminoso da mesma forma que todos aqueles os que cometem outros tipos de crime são, com o especial agravante de que sua conduta atinge centenas, milhares de pessoas! Porque cada vez que esses gestores da coisa pública atuam ou se omitem nesse sentido, é como se tirassem a comida do prato de uma família, como se negassem a chance de cura e o fim da dor daqueles que padecem de uma enfermidade sustentando-se (só Deus sabe com que forças) numa fila de um posto de saúde, no chão gelado de um corredor de hospital. É como tirar um lápis e uma cartilha das mãos de uma criança que jamais aprenderá o básico da educação que é ler e escrever. E talvez esse seja o pior do males, a ignorância. A ignorância também é uma forma de miséria, a raiz de todas as outras! O ignorante é feito de carência, conformismo e medo. Aos politiqueiros interessa manter as classes desfavorecidas desprovidas de educação e conhecimento, assim vão garantido o domínio de suas ideias. Privam o povo de saber de seus direitos e fazem com que este nem imagine que aqueles "doutores" de quem recebem um favor, um calçado ou um trocado no dia da eleição têm por DEVER (sim, DEVER!) atuar em favor do povo, e apenas do povo, garantindo-lhe o mínimo de dignidade! E dignidade é um prato (cheio) na mesa, é ter um médico que ouça e trate de suas dores, é ter um teto que abrigue quando a chuva chegar, é rua saneada e limpa, é segurança no caminho de casa, é criança na escola com carteira para sentar, livro para ler e professor para ensinar, é trabalho que garanta o pão de cada dia. Dignidade é esperança! Sofro pelos meus irmãos desesperançados, sofridos e enganados por quem lhes devia dar segurança e esperança... e rezo, rezo com todas as forças para que um dia eu possa olhar pela janela do meu carro e ver um mundo melhor.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Importar(-se).

Enganam-se redondamente aqueles que pensam que o verbo amar cabe em si próprio e se traduz em si mesmo, que o amor se basta ou se define sozinho. O verbo amar só consegue traduzir-se completamente no verbo importar(-se). Porque aquele que ama simplesmente se importa. Se importa se o outro está bem, se interessa pelas coisas que fez ou deixou de fazer, tudo o que é relacionado com o ser amado é importante, é interessante, é relevante. Se não há presença constante, chamadas telefônicas incessantes, se não há mensagens ou sinais de fumaça que indiquem esse interesse, certamente o amor não está ali. Quem ama, sempre encontra um jeito de se fazer presente, ainda que num deserto ou em mar aberto, aquele que ama encontrará um pombo-correio desavisado que seja, saído dos contos de fadas talvez e enviará o seu recado. O amor gera uma busca natural pelo outro, uma necessidade de compartilhar universos, espaços e verbos.
Ao contrário do que se pensa, o oposto do amor não é ódio, o oposto do amor é a indiferença. Porque até no ódio há sentimento, há paixão, há revirar de estômago, há interferência no universo do outro. Na indiferença não há nada, nem sequer a longíngua lembrança de que o outro existe, apenas o vazio que nem se percebe. A indiferença é a ausência total de sentimentos, bons ou maus. E é exatamente esse vazio que mais costuma doer, o não saber. Perceber que o outro simplesmente 'não se importa' e nem sequer lembra mais de ti. Sabe-se que o outro deixou de amar quando a voz se cala, quando as discussões cessam e deixam apenas o silêncio em seu lugar, quando as tentativas de entendimento tornam-se cansativas, quando a companhia se torna tediosa, quando a presença se torna ausente. Nesse momento, resta deixar o barco partir, curar a alma e aguardar que outro possa aportar.