quinta-feira, 20 de outubro de 2011

"Que eu jamais fique só, mesmo quando eu me queira só"

Há alguns dias uma frase me vem martelando a cabeça: 

"(...)que eu jamais fique só, mesmo quando eu me queira só".

Esta que encerra um belíssimo texto do autor Oswaldo Begiato, intitulado "Oração a mim mesmo". Quantas vezes queremos fugir de tudo, sumir, estar completamente sós num lugar onde ninguém possa nos alcançar, quietos, encolhidos talvez? Ir para onde só haja o silêncio. Nada mais. Um lugar onde não hajam cobranças, hora marcada, problemas a resolver, decisões a tomar, compromissos a cumprir, responsabilidades das quais não se possa fugir. Um lugar onde possamos olhar para nós mesmos e nos enxergar. 

Acredito, de verdade, que todo momento de solidão é válido. Válido para ficarmos a sós com nossos botões e conseguirmos enxergar tudo o que vai dentro da cabeça e do coração, nossas angústias, anseios, dúvidas, certezas, medos. Porque acredito que só nós mesmos temos as respostas certas para as nossas próprias perguntas, e não se pode escutar bem no barulho. Há dias em que o burburinho do mundo parece nos sufocar e só um "universo particular" pode nos salvar, ajudar a botar a cabeça no lugar e tomar fôlego para seguir.

Porém, nenhum deserto interior, por mais enriquecedor que torne o aprendizado da vida, deve ser eterno. Como tudo no mundo deve ter a sua medida de equilíbrio, a solidão também deve ser tomada na dose certa para que não nos torne para sempre caminhantes solitários, tais como conchas fechadas que apenas se abrem superficialmente. Há que se ter cuidado, pois a solidão pode embrutecer o coração e fazer com que este desaprenda como é saudável e engrandecedor o ato de "compartilhar". Compartilhar palavras, ideias, olhares, experiências, compartilhar tempo.

E nada melhor para isso do que saber que alguém estará a nossa espera quando o nosso deserto terminar. Nada melhor do que ter para onde voltar. Voltar para um lugar, para alguém, para um abraço, para um sorriso. Saber que tem alguém no meio do caminho com a mão estendida sempre a nos esperar... acho que é exatamente isso o que a tal frase quer dizer, que jamais fiquemos sozinhos, mesmo quando nos queiramos sozinhos. Que sempre haja alguém a nos esperar, a nos acompanhar, ainda que distante, respeitando a nossa necessidade de isolamento. Para que, no exato momento em que precisarmos, possamos olhar para o lado e ver que não estamos sós, nunca estivemos!

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Para você.

No dia em que você chegou
com aquele sorriso
aquele abraço
aquele beijo 
aquele cheiro
aquela hora se tornou perfeita
Uma vida inteira a esperar
nada mais tive a desejar
¨
Tudo se preencheu
Tudo se completou
Passei a viver assim
com aquele sorriso nos lábios
como quem olha o mar
e sente tudo se completar na imensidão
Sentindo os pés saindo do chão
no doce embalo da canção
¨
Para você guardei os meus melhores momentos
e o maior dos meus sentimentos
Aquele que só descobri quando estava nos seus braços
e a minha vida que a cada instante se faz de nós.
¬ ¬ ¬

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Desabafo.

Com frequência tenho sentido uma profunda dor no peito, uma grande indignação cada vez que presencio mãos postas nas janelas dos carros pedindo ajuda, mendigando um trocado, um pedaço de pão, pedindo socorro. Me pergunto se os governantes do nosso belo (e paradisíaco?) Município, do nosso sofrido Estado, do nosso tão rico País, não olham através das janelas de seus carros, se não vêem o desespero e a desesperança nos olhos de quem vive a vagar pelas ruas, sem rumo, sem ter um lugar para ficar, sem ter para onde voltar. Crianças de olhar perdido, desnutridas, barrigudas, já com tantas cicatrizes no corpo e na alma, entorpecidas por uma droga qualquer que lhes faça esquecer da fome, do abandono. Como não se solidarizar com a dor alheia? Como imaginar que voltaremos para uma casa de mesa farta e geladeira cheia, que teremos uma cama quente no final do dia e não pensar naqueles que ficaram do lado de fora privados de qualquer coisa que acalente, sem sentir um nó na garganta e o estômago revirado? Que culpa têm de terem nascido sem teto, sem espectativa? Mais uma vez me questiono se os senhores vereadores, deputados, chefes do Executivo, ao ter conhecimento e quem sabe até participação em desvios de verbas públicas, superfaturamento de obras, fraude à licitações, benesses e tantos outros favorecimentos gerados pelos cargos que ocupam não se sentem, nem que seja lá no fundo, mas lá no fundo mesmo de suas consciências, por uma fração de segundo, culpados por suas ações criminosas, por suas omissões escandalosas. De que matéria é feita esses homens que só pensam em ter mais, em ganhar mais, e só se esforçam para descobrir uma nova e impune forma de saquear os cofres públicos? E não importa o tamanho do prejuízo que geram, roubar pouco não significa que não é roubo, tirar o que é do outro é grave de qualquer maneira. Político que desvia verba da infra-estrutura não é menos ladrão que o assaltante de banco, político que desvia verba da saúde não é menos assassino que aquele que comete homicídio, político que desvia verba da educação não é menos culpado que aquele que abandona um incapaz, político que se utiliza do dinheiro público para se favorecer não é menos bandido que o estelionatário. Político corrupto é criminoso da mesma forma que todos aqueles os que cometem outros tipos de crime são, com o especial agravante de que sua conduta atinge centenas, milhares de pessoas! Porque cada vez que esses gestores da coisa pública atuam ou se omitem nesse sentido, é como se tirassem a comida do prato de uma família, como se negassem a chance de cura e o fim da dor daqueles que padecem de uma enfermidade sustentando-se (só Deus sabe com que forças) numa fila de um posto de saúde, no chão gelado de um corredor de hospital. É como tirar um lápis e uma cartilha das mãos de uma criança que jamais aprenderá o básico da educação que é ler e escrever. E talvez esse seja o pior do males, a ignorância. A ignorância também é uma forma de miséria, a raiz de todas as outras! O ignorante é feito de carência, conformismo e medo. Aos politiqueiros interessa manter as classes desfavorecidas desprovidas de educação e conhecimento, assim vão garantido o domínio de suas ideias. Privam o povo de saber de seus direitos e fazem com que este nem imagine que aqueles "doutores" de quem recebem um favor, um calçado ou um trocado no dia da eleição têm por DEVER (sim, DEVER!) atuar em favor do povo, e apenas do povo, garantindo-lhe o mínimo de dignidade! E dignidade é um prato (cheio) na mesa, é ter um médico que ouça e trate de suas dores, é ter um teto que abrigue quando a chuva chegar, é rua saneada e limpa, é segurança no caminho de casa, é criança na escola com carteira para sentar, livro para ler e professor para ensinar, é trabalho que garanta o pão de cada dia. Dignidade é esperança! Sofro pelos meus irmãos desesperançados, sofridos e enganados por quem lhes devia dar segurança e esperança... e rezo, rezo com todas as forças para que um dia eu possa olhar pela janela do meu carro e ver um mundo melhor.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Importar(-se).

Enganam-se redondamente aqueles que pensam que o verbo amar cabe em si próprio e se traduz em si mesmo, que o amor se basta ou se define sozinho. O verbo amar só consegue traduzir-se completamente no verbo importar(-se). Porque aquele que ama simplesmente se importa. Se importa se o outro está bem, se interessa pelas coisas que fez ou deixou de fazer, tudo o que é relacionado com o ser amado é importante, é interessante, é relevante. Se não há presença constante, chamadas telefônicas incessantes, se não há mensagens ou sinais de fumaça que indiquem esse interesse, certamente o amor não está ali. Quem ama, sempre encontra um jeito de se fazer presente, ainda que num deserto ou em mar aberto, aquele que ama encontrará um pombo-correio desavisado que seja, saído dos contos de fadas talvez e enviará o seu recado. O amor gera uma busca natural pelo outro, uma necessidade de compartilhar universos, espaços e verbos.
Ao contrário do que se pensa, o oposto do amor não é ódio, o oposto do amor é a indiferença. Porque até no ódio há sentimento, há paixão, há revirar de estômago, há interferência no universo do outro. Na indiferença não há nada, nem sequer a longíngua lembrança de que o outro existe, apenas o vazio que nem se percebe. A indiferença é a ausência total de sentimentos, bons ou maus. E é exatamente esse vazio que mais costuma doer, o não saber. Perceber que o outro simplesmente 'não se importa' e nem sequer lembra mais de ti. Sabe-se que o outro deixou de amar quando a voz se cala, quando as discussões cessam e deixam apenas o silêncio em seu lugar, quando as tentativas de entendimento tornam-se cansativas, quando a companhia se torna tediosa, quando a presença se torna ausente. Nesse momento, resta deixar o barco partir, curar a alma e aguardar que outro possa aportar.

sábado, 10 de setembro de 2011

A culpa que nos condena é a mesma que nos redime!

Uma ação impensada, uma omissão velada, uma palavra dita, um pensamento torto e pronto... a culpa pode encontrar a porta aberta e sentar-se no sofá. Martirizados por esse suplício, muitos se vêem atormentados por fantasmas imaginários. Muito mais do que a dor física, o tormento moral causa infinitamente mais aflição. Porque para este, os anestésicos não costumam surtir qualquer efeito. Quantos enlouquecem atordoados por pensamentos sobre coisas malfeitas que jamais poderão ser refeitas! Ah, a culpa, a culpa! Esse bichinho inquieto que rói e destrói. Destrói a alma e esfrangalha os nervos.
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O sentimento de culpa, quando sincero, costuma gerar tanto desconforto que padecimento nenhum no mundo poderia ser comparado. Nenhum castigo é tão doído e tão eficaz para o aprendizado humano quanto a culpa "martelando" os pensamentos, a vontade de voltar o tempo e fazer diferente.
E de tanto sofrer, de tanto remoer, de tanto padecer, somos abençoados pelo tempo e acabamos perdoados. Perdoados no fundo da alma, no fundo do coração. Entendemos que o feito está feito e ponto final. Tudo o que acontece tem a sua razão de ser. Não há ato malfeito que não sirva para algo, nem que seja para nos ensinar a nunca mais repetí-lo. E assim, prometendo jamais praticar tal ação, tal pensamento, tal omissão, todas as juras são feitas (e cumpridas) para que essa dor não volte e esse padecimento não se repita jamais.
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Ao mesmo tempo, a culpa que nos condena é a mesma que nos redime.
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quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Tic-Tac

O tempo, cruel senhor das horas,
não pára e não regressa.
Gira como um carrossel
a nos embalar em seu ritmo leve e sem pressa.
Disse o poeta que 'o tempo só anda de ida',
e cá ficamos nós, eterna mudança e partida.
No tic-tac do relógio passam minutos e segundos,
mudando a cada instante o nosso olhar do mundo.
Passam as pessoas, passa a vida,
passam momentos andando só de ida.
Quem olha muito para os lados
corre o risco de se perder no tempo.
Bem faz quem se preocupa em olhar adiante,
pois momentos passados só interessaram enquanto se vivia o instante.
Só se volta no tempo revivendo memórias
que teimam em guardar fracassos e glórias.
Que seria do ser humano sem a efemeridade do tempo?
Perdido ficaria cheio de descontentamento.
Estacionar o relógio em nada interessa.
De que vale a estagnação para quem tem pressa?
Feliz de quem sabe aproveitar o tempo
sem jamais tentar adiantar-lhe
ou atrasar-lhe os ponteiros.
O tempo caminha na medida justa e certa,
o ritmo das pessoas é que por vezes não se acerta.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Amor que não se mede!

É simplesmente impossível lembrar da casa dos meu avós sem que um sorriso logo apareça no rosto. Lá vivi uma infância mágica cheia de histórias felizes. Havia um quintal que se transformava em selva e uma rede que virava circo quando colocada de ponta-cabeça, havia um jardim encantado e um guarda-roupa com passagem secreta para o mundo da imaginação, onde só existia riso e diversão.
Quanta saudade!!!
Na casa dos meus avós não existia nenhuma criança triste, as tardes eram cheias de brincadeiras e os sorrisos cheios de risos ecoavam por todos os lugares. No armário da sala moravam pintinhos caramelados e broas com açucar que, de tão gostosos, pareciam inventados num sonho. Pela manhã sempre havia um copo de vitamina chamada 'chocomix', não sei o que minha avó colocava, mas era a coisa mais gostosa que já tomei até hoje. Os almoços de domingo eram os melhores, toda a família se reunia e a única ordem para a criançada era brincar até cansar. Havia macaquinhos de feijão com rabo de macarrão e a vasilha com o que sobrou da massa de bolo crua era a mais disputada. Nunca faltou um colo acolhedor para quem se machucava ou só queria descansar... tantas coisas boas que não deveriam passar nunca, deviam durar para sempre! Não deveríamos crescer porque isso implica termos que nos despedir... e eles nos fazem tanta falta!
Mas as lembranças, essas sim, podemos guardar para sempre na memória e no coração, tendo certeza que assim os manteremos vivos para sempre em nossas vidas. Seus exemplos contribuíram e contribuem para nossa formação e seus abraços inesquecíveis jamais ficarão para trás. Sei que onde vocês estiverem vocês podem me ver, e apesar de eu não poder mais ter aquele abraço e aquele colo tão bom, o amor que vocês me deram permanece em meu coração!
Feliz dia dos avós! ♥